faço parte daquele conjunto de pessoas a quem a natureza se esqueceu de equipar com dois interruptores que tanta falta fazem. Eu explico. Ambos os botões em questão cumprem funções elementares e básicas que até
um simples rádio comprado na praça de espanha traz de série. On/off. O primeiro dos ditos teria a função de me permitir desligar o pensamento, quando este possuido de vida ( e vontade ) própria persiste em fazer horas extraordinárias, e trabalha ininterruptamente pela noite fora, não me permitindo gozar de um merecido descanso nocturno. Por mais que tente, não o consigo convencer a cessar actividade pelo menos durante as horas em que todos os outros se recolhem. É em vão que ameaço recorrer a sonoríferos, na tentativa falhada de o intimidar, obrigando-o ao recolher nocturno. É aqui que um simples switch me permitiria subordiná-lo à minha vontade! click!!! e já estava.
O outro botão, que cumpre funções idênticas, serviria para desligar as emoções. Estas em conluio com o meliante atrás referido, persistem em ter vida própria, não se subordinando à razão ( cuja localização continua a ser uma incógnita para a minha pessoa, aliás começo a desconfiar que a mesma me abandonou ) e em parelha perseguem as minhas noites. aqui com convicção redobrada faria uso do segundo switch! click!!!!
Já está...agora que já desliguei os dois devo conseguir descansar.
Mas não...
Tratando-se de uma mera fantasia, à falta dos referidos botões, o pensamento vagueia incessantemente,
e de forma exaustiva, ocupando-se com cenários que as emoções se apressam a dominar. Aqui encontramos
toda a espécie de medos e inseguranças que não raras vezes tem como objecto o mesmo sujeito. compreenderão que não faça questão de o identificar num espaço público, resguardando assim a sua e a minha privacidade. E assim se faz esta madrugada de Sábado, refém de dois simples botões que a natureza se esqueceu de me equipar.

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